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CITAÇÕES

  • Foto do escritor: João Paulo
    João Paulo
  • 6 de set.
  • 10 min de leitura

Atualizado: 30 de set.

Algumas falas ficam conosco muito depois de o filme acabar. São frases que atravessam a tela, ecoam na memória e às vezes dizem mais sobre nós do que sobre os personagens. Nesta seção, reúno citações marcantes dos filmes que assisto — pequenos fragmentos de cinema que iluminam ideias, sentimentos e mundos inteiros em poucas palavras.



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Ninfomaníaca


- Então você está feliz? 

- Bem, acho que sim. À minha maneira. Mesmo sendo o tipo de pessoa que corta as unhas da mão direita primeiro.

 - O que isso significa? 

- Bem, eu divido a humanidade em dois grupos: as pessoas que cortam as unhas da mão esquerda primeiro e as pessoas que cortam as unhas da mão direita primeiro. Minha teoria é que as pessoas que cortam as unhas da mão esquerda primeiro são mais despreocupadas. Elas tendem a aproveitar mais a vida, porque vão direto para as tarefas mais fáceis e guardam as dificuldades para depois. Então, o que você faz?

 - Sempre a mão esquerda primeiro. Acho que não há escolha. Busque o prazer primeiro, sempre. E quando você tiver cortado a mão esquerda, só resta a direita. Essa é a mais fácil que resta. 

- Nunca pensei nisso dessa forma." (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


- Para mim, amor era apenas luxúria com ciúmes. Todo o resto era um absurdo. Para cada 100 crimes cometidos em nome do amor, apenas um é cometido em nome do sexo.  (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


- O amor é cego. 

- Não, não, não, é pior. O amor distorce as coisas. Ou pior ainda... O amor é algo que você nunca pediu. O erótico era algo que eu pedia, ou até mesmo exigia dos homens. Mas esse amor idiota... Me senti humilhada por ele, e por toda a desonestidade que se segue. O erótico é sobre dizer sim. O amor apela aos instintos mais baixos, envoltos em mentiras. Como dizer "sim" quando se quer dizer "não" e vice-versa? Tenho vergonha do que me tornei. Mas estava além do meu controle.  (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


- O ingrediente secreto do sexo é o amor.  (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


 - Cada vez que uma palavra se torna proibida, você remove uma pedra do alicerce democrático. A sociedade demonstra sua impotência diante de um problema concreto removendo palavras da linguagem. Os queimadores de livros não têm nada a ver com a sociedade moderna. 

- Eu acho que a sociedade alegaria que o politicamente correto é uma expressão muito precisa da preocupação democrática com as minorias. 

- E eu digo que a sociedade é tão covarde quanto as pessoas que a compõem, que, na minha opinião, também são estúpidas demais para a democracia. (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


- As qualidades humanas podem ser expressas em uma palavra: hipocrisia. Nós enaltecemos aqueles que falam certo com más intenções e zombamos daqueles que falam errado com boas intenções. A sociedade é baseada no ódio. Deveria ser baseada no perdão. O ódio é rudimentar. Deve-se ser capaz de perdoar o seu carrasco. (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


- Eu entendo ditadores que cometem assassinatos. O que era Hitler, no fim das contas, além de um homem a quem a sociedade deu rédeas soltas? 

- Você entende os racistas, você pega leve com pedófilos e, claro, agora na linha de chegada, você tem que simpatizar com os maiores assassinos em massa da história. 

- O que quero dizer é que dizem que é difícil tirar a vida de alguém. Eu diria que é mais difícil não fazer isso quando, como ditador ou como eu, você não tem nada a perder. Para um ser humano, matar é a coisa mais natural do mundo. Fomos criados para isso. (Ninfomaníaca - Lars von Trier)


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The Midnight Gospel


Saúde tem a ver com aceitar, perceber e lidar com a realidade, nos termos da realidade. (The Midnight Gospel)


Através do amor, toda a dor vira remédio. (The Midnight Gospel)


O Beethoven disse que o motivo de se estar vivo, de ser humano, é de chegar o mais perto possível da divindade e depois espalhar esses raios pra humanidade. (The Midnight Gospel)


Existe uma comunidade do espírito. Faça parte dela e sinta o prazer de andar na rua barulhenta e ser o barulho. Beba toda a sua paixão e seja uma vergonha. Feche os dois olhos para ver com o outro olho. Abra as mãos se quiser ser segurado. - Rumi (The Midnight Gospel)


No momento em que aceitar as coisas como elas são, não precisa mais de esperança. Porque você percebe que onde está, está bom. (The Midnight Gospel)


- A possibilidade de que haja algum tipo de força que vai nos apagar quando chegar a hora não é nada que eu possa controlar. É melhor fazer as pazes com isso. É mais fácil seguir o fluxo daquele rio do que tentar lutar contra ele. Existe essa possibilidade. Todos nós vamos morrer.

- Não sei de onde saiu isso, mas dizem que a meditação é um treino pra morte.

- Acho que é verdade. A meditação é uma prática espiritual que nos prepara pra morte. Mas também, se olhar pro mundo, você verá coisas aparecendo e desaparecendo, e os humanos fazem parte disso tudo e aparecem e desaparecem. Da face da Terra. Isso só acontece. Nossos egos personalizam isso e nos consideramos casos especiais, mas não somos, sabe? Somos parte do todo e esse todo está em constante transformação. Ele muda de forma, se transfigura.

- Você é um caso especial.

- É porque sou sua mãe.

- Não! Não, eu sei, mas qual é. Não tem como impedir um coração de partir. O que se faz com isso?

- Você chora. Você chora. (The Midnight Gospel)


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Midnight Mass


- O que acontece quando morremos?

- Eu não sei e não confio em ninguém que diz saber, mas só posso falar por mim mesmo. 

- Então fale por si mesmo. O que acontecerá quando morrer? 

- Quando eu morrer meu corpo vai parar de funcionar. Se desligar. De vez, ou gradualmente, a respiração vai parar, o coração vai parar de bater. Morte clínica. E um pouco depois, tipo, cinco minutos depois, meus neurônios vão começar a morrer. Mas nesse meio-tempo talvez meu cérebro libere DMT. É uma droga psicodélica liberada quando sonhamos, então... Vou sonhar. Vou sonhar mais do que jamais sonhei, porque isso é tudo. É a última descarga de DMT toda de uma vez. Meus neurônios vão estar trabalhando e verei um espetáculo de fogos de artifício de lembranças e imaginação. Vai ser uma baita viagem. Uma viagem alucinante porque minha mente vai buscar lembranças de curto e longo prazo, sonhos misturados com lembranças, e a cortina cai. O sonho derradeiro. O sonho que vai terminar todos os sonhos. Um último grande sonho enquanto minha mente esvazia o depósito e então acaba. A atividade cerebral cessa e não resta nada de mim. Nenhuma dor. Nenhuma lembrança, nenhuma consciência de quem fui. De que já feri alguém. De que já matei alguém. Tudo permanece como era antes de mim. A eletricidade se dispersa do meu cérebro até sobrar só tecido morto. Carne. Esquecimento. E as outras pequenas coisas que fazem parte do meu corpo. Os micróbios, bactérias e bilhões de outras pequenas coisas que vivem nos meus cílios, no meu cabelo, na minha boca, na minha pele, no meu intestino e tudo mais, seguirão vivendo. E comendo. Estou servindo a um propósito. Estou alimentando a vida. Quando me decompuser, e as minúsculas partes de mim forem recicladas, estarei em bilhões de outros lugares. Meus átomos estarão em plantas, insetos e animais. Serei como as estrelas no céu. Um momento estão lá e, no seguinte, espalhadas pelo grandioso cosmos. (Midnight Mass)


-Isso nunca fez sentido pra mim. Todos dizemos que existe um Céu. Todos dizemos acreditar no Céu. Dizemos que ele nos espera. Mas nos agarramos, lutamos e imploramos por mais alguns minutos no final. Minutos. (Midnight Mass)


- O que acontece?

- O quê?

- Quando morremos? O que acontece?

- O que caralhos acontece?

- Então, o que você acha que acontece quando morremos?

- Falando por mim mesma?

- Falando por você mesma.

- Eu mesma. Eu mesma. É esse o problema. É esse o problema com a coisa toda. Essa palavra. Eu. Não é essa a palavra. Não está certo. Não é. Como fui esquecer disso? Quando esqueci disso? O corpo morre célula por célula, mas os neurônios continuam em atividade. Pequenos relâmpagos, como fogos de artifício, achei que ficaria desesperada ou com medo, mas não sinto nada disso. Nada disso. Estou ocupada demais. Estou ocupada demais neste momento. Me lembrando. É claro. Eu lembro que cada átomo do meu corpo foi criado em uma estrela. Esta matéria, este corpo é basicamente espaço vazio. E a matéria sólida? É apenas energia vibrando bem devagar, e não há um "eu". Nunca houve. Os elétrons do meu corpo dançam e se misturam com os elétrons do chão embaixo de mim e do ar que já não respiro. E eu lembro que não existe um ponto onde tudo isso acaba e eu começo. Eu lembro que sou energia. Não memória. Não um "eu". Meu nome, minha personalidade e escolhas vieram depois de mim. Eu existia antes deles e existirei depois, tudo o mais são imagens que recolhi pelo caminho. Sonhos fugazes impressos no tecido do meu cérebro moribundo. E eu sou a eletricidade correndo por ele. Sou a energia ativando os neurônios, e estou voltando. Só de lembrar, estou voltando pra casa. Como uma gota d'água voltando pro oceano, do qual sempre fez parte. Todas as coisas... uma parte. Todos nós... uma parte. Você, eu, minha menina, minha mãe e meu pai, todos que já viveram, cada planta, cada animal, cada átomo, cada estrela, cada galáxia, tudo. Há mais galáxias no Universo do que grãos de areia na praia. É disso que falamos quando dizemos "Deus". O único. O cosmos e seus sonhos infinitos. Somos o cosmos sonhando consigo mesmo. O que acho ser minha vida é simplesmente um sonho, toda vez. Mas me esquecerei disso. Sempre esqueço. Sempre esqueço meus sonhos. Mas agora, nesta fração de segundo, no momento em que eu lembro, no instante em que lembro, compreendo tudo de uma vez. Não existe tempo. Não existe morte. A vida é um sonho. É um desejo. Feito de novo e de novo e de novo e de novo e de novo por toda a eternidade. E eu sou tudo isso. Sou tudo que há. Sou o todo. Sou o que sou. (Midnight Mass)


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The Green Knight


- Por que acha que ele é verde?

- O cavaleiro?

- Sim. Ele nasceu assim? Por que não azul? Vermelho?

- Porque ele não é desta terra.

- Mas verde é a cor da terra e das coisas vivas.

- E da podridão.

- Isso. Sim. Decoramos os corredores com isso e tingimos nossos lençóis, mas se vier rastejando pelas pedras, limpamos tudo o mais rápido possível. Quando floresce sob nossas peles, nós sangramos. Quando nós, juntos, descobrirmos que nosso alcance excedeu nossa compreensão, nós cortamos, nós acabamos com isso, nós passamos por cima e sufocamos com nossas barrigas, mas ele retorna. Ele não demora. Não espera uma trama ou conspiração. Puxe-o pelas raízes hoje e amanhã, lá está, rastejando pelas beiradas. Enquanto procuramos pelo vermelho, o verde está vindo. Vermelho é a cor da luxúria, mas o verde é o que a luxúria deixa para trás, no coração, no ventre. Verde é o que fica quando o fogo se esvai, quando a paixão morre, quando morremos, também. Quando forem, suas pegadas se preencherão com grama. O musgo cobrirá sua lápide, e quando o sol nascer, o verde estará por toda parte, em todas as suas tonalidades e matizes. Esse verde ultrapassará tua espada, teu dinheiro, tuas muralhas e tente o quanto quiser, tudo que ama sucumbirá a ele. Tua pele e ossos. Tua virtude." (The Green Knight)


- É só isso mesmo? Isso é só isso?

- O que mais deveria haver? (The Green Knight)


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The Haunting of Hill House


Nenhum organismo vivo é capaz de existir com sanidade sob condições de realidade absoluta. (A Maldição da Residência Hill)


Amei vocês completamente e vocês fizeram o mesmo. Isso é tudo. O resto é confete. (A Maldição da Residência Hill)


Medo. O medo é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Mas, ao que parece, o amor também. O amor é o abandono da lógica. O abandono voluntário dos padrões racionais. Nós cedemos a ele ou o combatemos, mas não existe meio-termo. Sem ele, não somos capazes de existir com sanidade sob condições de realidade absoluta. (A Maldição da Residência Hill)


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Judgment at Nuremberg


"Havia uma febre em todo o país. Uma febre de desgraça, de indignidade, de fome. Nós tínhamos uma democracia, sim, mas estava arruinada por elementos internos. Acima de tudo, havia medo: medo do hoje, medo do amanhã, medo de nossos vizinhos e medo de nós mesmos. Somente quando entenderem isto poderão entender o que Hitler significava para nós. Porque ele disse para nós: "Levantem suas cabeças. Sintam orgulho por serem alemães. Há demônios entre nós. Comunistas, liberais, judeus, ciganos. Uma vez que esses demônios forem destruídos, sua miséria terá sido destruída. Era a velha, velha, história do bode expiatório. E aqueles de nós que sabiam melhor? Nós que sabíamos que aquelas palavras eram mentiras e pior que mentiras? Porquê nos sentamos silenciados? Porquê tomamos parte? Porque nós amávamos nosso país. Que diferença faz se alguns poucos extremistas políticos perdem seus direitos? Que diferença faz se algumas minorias raciais perdem seus direitos? É só uma fase passageira. É só uma etapa que estamos atravessando. Será descartada cedo ou tarde. O próprio Hitler será descartado cedo ou tarde. O país está em perigo. Marcharemos das sombras. Avançaremos adiante. Adiante é a senha. E a história mostra o quanto triunfamos, Meritíssimo. Triunfamos além dos nossos sonhos mais insanos. Os mesmos elementos de ódio e poder de Hitler que hipnotizaram a Alemanha hipnotizaram o mundo. Encontramos inesperados e poderosos aliados. Coisas que nos tinham sido negadas como uma democracia abriam-se para nós agora. O mundo dizia: "Vão em frente. Tomem. TOMEM! TOMEM OS SUDEOS, INVADAM A REGIÃO DO RENO, FORMEM UM NOVO EXÉRCITO! TOMEM A ÁUSTRIA! TOMEM-NA! Então, um dia, olhamos ao redor e vimos que estávamos diante de um perigo ainda mais terrível. O ritual que começou neste tribunal varreu o país como uma doença feroz e barulhenta. O que deveria ser uma fase passageira se tornou um modo de vida." (Judgment at Nuremberg)


"Durante uma crise nacional homens comuns, e até os mais capazes e extraordinários, podem iludir-se a si próprios e até cometer crimes tão vastos, bárbaros e atrozes que desafiam a imaginação. [...] Homens esterilizados por causa de suas crenças políticas. Amizade e fé objetos de escárnio. O assassinato de crianças. Com que facilidade isso aconteceu. Há aqueles em nosso país (Estados Unidos) também que hoje falam da proteção do país, de sobrevivência. Uma decisão deve ser tomada na vida de toda nação. No exato momento em que as garras do inimigo apertam a sua garganta. Então parece que para sobreviver deve-se usar os métodos do inimigo para sobreviver acima de tudo, olhar para o outro lado. A resposta para isto é: Sobreviver como o quê? Um país não é uma rocha. Não é uma extensão de si próprio. É o que defende. É o que defende quando defender algo é a coisa mais difícil. Perante as pessoas do mundo deixemos claro que aqui na nossa decisão, isto é o que nós defendemos: Justiça, verdade e o valor de um simples ser humano." (Judgment at Nuremberg)

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